quarta-feira, 10 de abril de 2013

Arrivederci

Boa parte da outra noite eu passei nadando. Contagem em segundos. Debaixo de um exagerilhão de pontos luminosos, olhos dos deuses mais antigos que o próprio sistema, que a origem, que a paz. Se eu pensasse assim, dava uma certa tranquilidade... Afinal, quem era eu para me preocupar com qualquer coisa que fosse, certo? Mas as estrelas tinham reflexo – da mesma forma que meus pensamentos se projetavam para muito além da linha deitada, sempre fugidia. O mar uma vez foi promessa, depois era pressa (na maior parte do tempo); eu me contentava com o fato de a água gelada conseguir pentear os nervos em modo contínuo. E a ilha que alguns profetas em slow motion anunciaram, essa nunca veio. Ou então fui eu que acabei achando antes a tal correnteza inevitável que de um jeito ou de outro me acharia por si só. Em meio a águas inofensivas como suor, profundas como lágrimas. Hoje ao recapitular posso ver que foi mesmo apenas uma corrente (no momento, confesso, parecia desprovida de elos quaisquer) e respirar aliviado, confiança na correção monetária, belo bônus da aposentadoria. Cheguei na praia junto com o amanhecer: o déjà vu do fim de um oceano no nosso planeta circular. Haveria um caminho mais rápido? É provável. Deitei com o rosto para cima, as ondas disseram arrivederci e eu apaguei.

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