sábado, 13 de abril de 2013

O Mestre do Farol

“Onde você vai, Lince?”, inquietaram-se meus novos amigos. Não respondi. Eles voltaram às piadas sobre elefantes bêbados enquanto eu me distanciava no descampado. O lance é que eu tinha visto um farol na praia algumas horas antes, e me perguntara quem seria o encarregado do posto. Não foi difícil achar o som do mar, menos ainda o próprio farol. Descalço na areia branca, reflexo da lua crescente, fui deixando pegadas propositais para saber por onde voltar. Um portão de madeira se semidesintegrou quando o toquei. Abriu caminho para os degraus e para algo que, intuí, poderia trazer algumas das respostas que eu procurava nos dois últimos anos. No fim da escadaria vi uma sala ampla com 360º de janelas à disposição, uma mesa de jantar, uma poltrona, o farol ligado e nem uma viva alma para controlá-lo. Esperava encontrar alguém tipo um caquético sábio de barbas alvas. O Mestre do Farol ou algo assim, a escrever notas de epifania. Era o mínimo (mas não). Sentei-me na poltrona para observar o movimento automático do facho de luz, realmente admirável em termos de alcance. Em seguida peguei meu caderno e registrei o momento. Quando me preparava para voltar, ouvi um barulho, o que queria dizer que tinha alguém subindo as escadas. O Mestre? Um garoto uns dez anos mais novo do que eu apareceu na entrada da sala – ele e sua expressão interrogativa.
- Venho de longe e tenho uma questão.
- Para mim? – Perguntei surpreso.
- Sim.
- É... Ok, diga.
A pergunta dele era sua própria resposta, e ele não se havia dado conta.

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