quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O último fim

Lily voltou. Tinha uma pinta nova do lado do nariz. Já não era a mesma, claro. Eu menos. Nos encontramos em um desses bares sem propósito nenhum a não ser finalizar histórias decadentes, um desses lugares indecentes sem uma única estúpida fonte direta de luz branca. O barman popeye comia ovos e bebia rum puro, na fanfarronagem. Provavelmente instigava o próximo cliente a dizer ou a pensar qualquer coisa ofensiva, olhou para mim mas eu não era seu público-alvo. Ela entrou pela porta uns vinte ou vinte e cinco minutos depois do combinado. Apenas outro camarada no balcão, e sem embargo foi sentar-se ao lado dele, enquanto a música parava para os anúncios das eleições. E ela achou que fosse criar um efeito dançante em seu desfile gelado, pois nem isso. Daí chamei o barman e lhe ordenei que trouxesse um pedaço de torta. Perguntou se era para viagem. Para viagem, sim, que seja! Lily trocou uma ideia com o outro cara, que era um pobre bêbado sem a menor condição de ajudá-la em seu plano infantil, então ela desistiu.
- Olá, Lince.
Arqueei as sobrancelhas.
- Não vai dizer nada? – Ela bufou um pouco.
- Quer um pedaço de torta?
- Não, obrigada.
- Como vai o Woody?
- Não o vejo há meses.
Falávamos em espanhol, isso começou a me irritar. Decidi ficar calado. O barman veio com a torta embalada como a cara dele, a música recomeçou e ela tocou meu ombro de leve.
- Vamos ao cinema?
Fomos ao cinema. Eu já tinha visto o filme, mas ele me pareceu absurdamente pior dessa vez.

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