quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Contracapa

É justo dizer que tudo funciona inacreditavelmente melhor do que se imagina pelo menos de vez em quando: basta para a gente se sentir um pouco mais satisfeito com as nossas intenções e tudo isso. Um desses parágrafos que lemos na contracapa antes de comprar o livro e que nos surpreende quando o reencontramos, já envolvidos pela história. Veja para começar o Dom, aí deitado sem camisa no chão de poeira sem dar a mínima para as formigas, mas falando baixo umas palavras legais e sonhadoras para a noiva dele, adormecida faz uma boa meia hora (enquanto a fogueira vai alto em faíscas bonitas e deixa tudo com um cheiro de quintal, um alívio considerável na desolação que é a praia de hoje). Claro que alguém traz um violão e dedilha canções igualmente aconchegantes que evoluirão em algum ponto também para roncos sinfônicos de todo o pessoal, pois o ciclo é esse, só que antes disso, porém, eu vou me certificar de que as luzes se esquentem no céu mais uma vez, respirar fundo e fazer meus pedidos, meus agradecimentos, meus poemas sem sentido, os que sobram; a água do mar vai se aproximar e perguntar se pode participar da reunião agora divertida, mas vai se dar conta de que é um episódio bastante humano e se retirar respeitosamente. Talvez a Flor me olhe com seu código para que a barraca debaixo da palmeira se feche por uns momentos, ninguém vai se importar, tenho certeza. É justo dizer, um desses parágrafos que não estão na contracapa à toa.

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