quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cinco luas

Ontem na volta eu fui andando pela rua com as mãos no bolso da aceitação incondicional para com tudo o que tinha acontecido e viria a acontecer dali pra frente, ao longo da avenida rolante. Alguma coisa acionou a chave, foi um processo exaustivo e intermitente e eu estava consciente de que não havia terminado ainda. Deixei todo o falatório para trás, sem me despedir, os ecos corriam latindo atrás das minhas rodas – e a lua sorriu de novo pela quarta ou quinta vez, baitas dentes desconcertados que me haviam recebido e cresciam e se preparavam para me levar até a porta do avião dentro de poucas semanas. As primeiras luzes de Natal deste ano não foram as da árvore robótica do banco, mas as da pequena janela do segundo andar da padaria no meu caminho: nada além de uns vagalumes um tanto bêbados e sem experiência. Só que eu reparei nisso, só que eu me sentiria bem-vindo.

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