segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Batalha Grande

Enfim, os sete anciãos empunharam suas armas na torre de observação do palácio. Olhando do meu balão, percebi que definitivamente estavam em formação de emergência, os portões não aguentavam mais a pressão da horda de bárbaros. Mas não eram bárbaros comuns, e sim homens vestidos com ternos sujos e gravatas amassadas, alguns seguravam maletas de executivo de onde caíam papeis, e eram milhares.

Sobrevoei por trás para ter uma visão mais estratégica do cenário, mas o balão foi atingido em cheio por um tiro. Fui caindo, caindo, até que resolvi fazer um pouso forçado no monte de feno da fazenda dos arredores.

A vontade de saber sobre a batalha foi bem maior do que o impacto da queda, e quando me dei por conta, já estava guardando o balão na enorme cesta que constituía sua nave – ela tinha uma tampa, que fechei. Um homem com cara de raposa apareceu com uma sacola – não era o dono da fazenda, me assegurou – e me perguntou se eu tinha alguma mercadoria para vender: no início achei que era um ladrão, e, bem, talvez fosse mesmo.

- Tenho apenas este balão.
- Vejo apenas uma cesta.
- Mas tem um balão aqui dentro, pode conferir! - retruquei.
- Não! - gritou o homem. - Como vou saber que você não tem uma armadilha montada dentro?
- Ora, como assim?
- Vamos fazer o seguinte. Troco esta sacola pela sua cesta fechada.
- Mas o que tem aí?
- E você acha que vou dizer? Fechamos negócio ou não?

Eu queria mesmo era ir olhar a batalha de perto, e aquele cara de raposa estava começando a me perturbar.

- Está bem.

O homem pegou a cesta com facilidade e saiu correndo pela fazenda, mas não o vi abri-la, pelo menos até onde consegui enxergar. De dentro da sacola, tirei um belo terno, uma gravata e uma brilhante maleta de executivo.

2 comentários:

Katrina disse...

Eles queriam que mais um entrasse na gangue

Rainha disse...

agora poderia decididamente ver a batalha do modo mais efetivo.

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